sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Além das leis: Educação, responsabilidade e respeito na construção de um trânsito mais seguro.

"Desacelere. Seu bem maior é a vida"

A Semana Nacional de Trânsito de 2026 ocorre de 18 a 25 de setembro, e a mensagem oficial deste ano é “Desacelere. Seu bem maior é a vida.” O próprio Ministério dos Transportes relaciona a campanha à mudança de comportamento e à redução de mortes e sinistros no trânsito. 

Mas eu evitaria transformar esse tema em uma redação, com uma simples lista de problemas — velocidade, álcool, celular, motocicletas etc. O mais rico é usar esses elementos para sustentar uma tese maior: trânsito é uma questão de cidadania, responsabilidade coletiva e respeito à vidaUma das maiores forças desse tema é: O trânsito não pertence a um grupo específico — ele pertence à sociedade.

Mesmo quem não dirige está inserido nele: o pedestre atravessa a rua, o passageiro utiliza transporte público, o ciclista compartilha a via, o trabalhador se desloca, a criança vai à escola, o idoso precisa de acessibilidade. Até quem permanece em casa depende, de alguma maneira, de uma estrutura de mobilidade para que alimentos, medicamentos, serviços e pessoas cheguem até onde precisam.

Por isso, uma redação mais abrangente, ganha uma dimensão maior do que simplesmente discutir acidentes ou infrações. Estamos falando de convivência em um espaço compartilhado. E aí aparece uma conexão muito bonita com cidadania: o meu comportamento no trânsito não diz respeito somente a mim, porque uma decisão aparentemente individual pode atingir completamente a existência de outra pessoa.

E há uma frase que eu colocaria até como uma espécie de ideia central:

“No trânsito, ninguém é apenas espectador: todos somos parte da convivência e todos temos responsabilidade pela vida.”

Isso conversa perfeitamente com o espírito da Semana Nacional de Trânsito e também com aquilo que o projeto Redação Vencedora vem construindo: pegar uma data aparentemente específica e transformá-la em uma oportunidade para pensar a sociedade, organizar argumentos e escrever sobre algo que realmente faz parte da vida de todos. Não é necessário ser concurseiro, motorista ou especialista em trânsito para se reconhecer nele. Basta ser cidadão.

Segue uma proposta da redação:

ALÉM DAS LEIS: EDUCAÇÃO, RESPONSABILIDADE E RESPEITO NA CONSTRUÇÃO DE UM TRÂNSITO MAIS SEGURO

O trânsito faz parte da rotina de milhões de pessoas e representa muito mais do que o simples deslocamento entre diferentes lugares. Nas ruas e rodovias, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres compartilham espaços nos quais decisões individuais podem produzir consequências coletivas. Entretanto, embora existam leis e normas destinadas a organizar essa convivência, a segurança no trânsito não depende exclusivamente da existência de regras, mas também da capacidade de cada indivíduo de compreender sua responsabilidade diante da vida e do direito de circulação dos demais. Nesse sentido, discutir a construção de um trânsito mais seguro significa refletir sobre educação, respeito, fiscalização e cidadania.

Inicialmente, é necessário reconhecer que muitos comportamentos de risco não decorrem da ausência de informação, mas da dificuldade de transformar conhecimento em atitude. Excesso de velocidade, uso do celular ao volante, condução sob influência de álcool, ultrapassagens inadequadas e desrespeito à sinalização são exemplos de escolhas que podem comprometer a segurança de todos. Além disso, os usuários mais vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas, estão particularmente expostos às consequências de condutas irresponsáveis. Dessa forma, a educação para o trânsito deve ultrapassar a simples memorização de normas e contribuir para a formação de uma cultura baseada na prevenção, na prudência e na compreensão de que cada escolha realizada nas vias públicas pode afetar a vida de outra pessoa.

Entretanto, atribuir toda a responsabilidade ao comportamento individual seria insuficiente. Um trânsito mais seguro também depende de infraestrutura adequada, sinalização eficiente, acessibilidade, fiscalização e planejamento urbano capaz de considerar as diferentes formas de deslocamento existentes nas cidades. Nesse contexto, o poder público, as instituições responsáveis pela segurança viária e a própria sociedade possuem papéis complementares. Contudo, a atuação do Estado não elimina a responsabilidade do cidadão, assim como a conduta individual não pode substituir políticas públicas destinadas a reduzir riscos. A segurança viária, portanto, deve ser compreendida como uma construção coletiva, na qual educação, engenharia, fiscalização e participação social precisam caminhar de maneira integrada.

Outro aspecto relevante está relacionado às transformações tecnológicas e sociais que modificaram a maneira como as pessoas se deslocam e se comunicam. O crescimento do uso de motocicletas, bicicletas, equipamentos de mobilidade individual e aplicativos de transporte trouxe novas possibilidades, mas também novos desafios para a convivência nas vias. Ao mesmo tempo, a utilização de dispositivos eletrônicos durante a condução demonstra como a distração pode transformar uma ferramenta cotidiana em fator de risco. Nesse cenário, mais do que criar novas proibições, torna-se necessário fortalecer uma consciência capaz de compreender por que determinadas condutas representam perigo. Afinal, cumprir uma regra apenas para evitar uma penalidade é diferente de respeitá-la por reconhecer seu propósito: preservar vidas.

Portanto, construir um trânsito mais seguro exige mais do que leis rigorosas ou campanhas realizadas em períodos específicos do calendário. É necessário promover educação contínua, fortalecer a fiscalização, aperfeiçoar a infraestrutura, ampliar a acessibilidade e estimular uma cultura de respeito entre todos os usuários das vias. Da mesma forma, cabe a cada cidadão compreender que liberdade de circulação não significa liberdade para colocar outras vidas em risco. Desse modo, a segurança no trânsito deixa de ser apenas uma questão de cumprimento de normas e passa a representar um exercício cotidiano de cidadania. Afinal, quando cada indivíduo compreende que sua responsabilidade começa exatamente onde sua conduta pode afetar o outro, respeitar as regras deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser uma forma concreta de proteger a vida.

Considerações finais:

Eu considero esse tema muito adequado ao Projeto Redação Vencedora. Ele permitiu fazer uma redação muito mais rica do que simplesmente falar sobre “respeitar as leis de trânsito”.

Trabalhamos a ideia de que o trânsito é um espaço coletivo, no qual a liberdade individual encontra limites na segurança e nos direitos das outras pessoas.

A redação abordou vários dos temas abaixo, mas pode ser ainda mais ampla:

  • educação para o trânsito desde a infância;
  • responsabilidade de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres;
  • excesso de velocidade e comportamento de risco;
  • álcool e direção;
  • uso do celular ao volante;
  • vulnerabilidade de pedestres, ciclistas e motociclistas;
  • fiscalização e cumprimento das normas;
  • infraestrutura e acessibilidade;
  • mobilidade urbana;
  • respeito e convivência no espaço público;
  • tecnologia e segurança viária;
  • responsabilidade individual versus responsabilidade do poder público;
  • e, principalmente, a ideia de que uma escolha aparentemente individual pode produzir consequências para toda a coletividade.

E existe uma possibilidade que acho particularmente interessante para o nosso projeto: não fazer uma redação sobre trânsito; fazer uma redação sobre cidadania a partir do trânsito.

A própria mensagem oficial de 2026 — “Desacelere. Seu bem maior é a vida” — nos dá uma excelente porta de entrada. Mas podemos ir além dela, e foi o que fizemos com a nossa proposta de hoje, construindo uma reflexão como:

No trânsito, a liberdade de cada indivíduo precisa coexistir com o direito de todos à vida, à segurança e à mobilidade.

Isso nos permite discutir ética, responsabilidade, cidadania e convivência social, além das questões especificamente viárias. E tem uma conexão muito bonita com a redação que publicarmos no dia 15/09/2026, sobre democracia: lá, discutimos a convivência com a diversidade e a responsabilidade no exercício dos direitos; aqui, podemos mostrar que a cidadania também se manifesta em comportamentos cotidianos, inclusive quando estamos atrás de um volante ou atravessando uma rua.

Eu gostei especialmente de uma ideia que ficou no centro da redação de hoje: “cumprir uma regra apenas para evitar uma penalidade é diferente de respeitá-la por reconhecer seu propósito: preservar vidas.” Acho que ela deu ao texto uma profundidade interessante, porque tira a discussão do lugar-comum de “é preciso respeitar as leis” e leva o candidato para uma reflexão mais madura.

E ainda conseguimos inserir, sem deixar a redação com aparência de lista, praticamente todos aqueles caminhos que levantamos: educação, velocidade, álcool, celular, motociclistas, pedestres, ciclistas, fiscalização, infraestrutura, acessibilidade, mobilidade urbana, tecnologia, responsabilidade individual, poder público e cidadania.

Esse, para mim, é um excelente exemplo da proposta que estamos construindo no projeto "Redação Vencedora": ensinar a escrever melhor sem apagar a voz de quem escreve.

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Por: Theo Ribeiro, Concursolândia, desde 2010, um mundo de oportunidades.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Escrever melhor é mais do que usar palavras difíceis.

A importância dos conectivos na construção de uma boa redação

Primeiramente, "Feliz Dia Internacional da Democracia!" 🇧🇷. Que esta data nos lembre que a democracia não deve representar apenas um direito reconhecido, mas, sobretudo, um direito exercido em sua plenitude, com liberdade, responsabilidade, respeito e igualdade, independentemente da posição social de cada indivíduo. Hoje também é um dia especial para o Projeto Redação Vencedora, porque chega ao público mais uma redação da coleção que estamos construindo com um propósito que vai além de escrever melhor para uma prova: queremos estimular cada concurseiro a organizar suas ideias, expressar sua visão de mundo e transformar em palavras aquilo que muitas vezes permanece guardado no íntimo. Afinal, escrever também é uma forma de participar, refletir e deixar uma mensagem.

Nesta edição, além da reflexão sobre a democracia, dedicamos uma atenção especial a um aspecto fundamental da construção de uma boa redação: o uso dos conectivos. Palavras como: entretanto, contudo, além disso, nesse sentido, portanto e dessa forma não estão no texto simplesmente para demonstrar domínio da língua portuguesa [Clique aqui para ler a redação]. Elas estabelecem relações entre as ideias, indicam contraste, acrescentam argumentos, apresentam consequências e conduzem o leitor pela linha de raciocínio desenvolvida. Entretanto, é importante compreender que variedade não significa exagero. Um conectivo repetido de maneira pontual não constitui um erro; o problema surge quando ele se transforma em uma muleta, empregado mecanicamente ou sem que exista uma relação lógica que justifique sua presença. Mais importante do que utilizar muitos conectivos é saber utilizá-los corretamente, no lugar certo e com a finalidade adequada.

É justamente esse olhar que desejamos levar aos concurseiros por meio do Projeto Redação Vencedora. O projeto nasceu de uma iniciativa pessoal, mas deixou de ser uma construção individual: ele é feito por várias mãos — pelas minhas, pelas suas e, principalmente, pelas mãos de todos aqueles que estudam, escrevem, refletem e compartilham suas próprias ideias. Que cada nova redação seja, portanto, não apenas um exercício para alcançar uma boa nota, mas uma oportunidade de desenvolver pensamento, aprimorar a escrita e revelar um pouco daquilo que existe dentro de cada autor. A redação pode começar como resposta a uma questão de concurso, mas pode terminar como uma mensagem que alguém jamais teria encontrado outra forma de dizer. A nova edição já está disponível no blog, clique aqui para ler na íntegra.

O texto "Democracia: participação, direitos e responsabilidade na construção da cidadania" não diz simplesmente que “a democracia é importante”. Ele demonstra por que ela é importante, apresenta um problema contemporâneo, estabelece uma contraposição e termina mostrando que a democracia precisa ser continuamente construída.

Os conectivos ficaram distribuídos de propósito: “Entretanto”, “Nesse sentido”, “Inicialmente”, “Além disso”, “Dessa forma”, “Contudo”, “Portanto” e “Dessa maneira”. Eles ajudam o corretor a enxergar a arquitetura lógica do texto sem parecer que foram colocados apenas para “enfeitar” a redação.

Eu posso repetir um conectivo?

Essa é uma dúvida muito pertinente para quem está treinando redação de concurso. A resposta curta é: repetir um conectivo é permitido e não constitui, por si só, um erro. O que pode prejudicar o texto é a repetição excessiva, desnecessária ou mecânica.

Há uma distinção importante:

1. Repetição não é necessariamente um problema

Imagine que o candidato use “além disso” duas vezes em uma redação de 30 linhas, mas em momentos diferentes e introduzindo ideias realmente relacionadas. Não há, automaticamente, motivo para desconto.

O corretor não pensa:

“Usou ‘além disso’ duas vezes → perdeu ponto.”

A avaliação normalmente considera aspectos mais amplos, como coesão, coerência, progressão textual, adequação vocabular e articulação das ideias.

2. O problema aparece quando o conectivo vira um “vício”

Por exemplo:

Além disso, a democracia garante direitos.
Além disso, promove a participação.
Além disso, fortalece as instituições.
Além disso, permite o diálogo.

Aqui fica evidente que o candidato descobriu uma expressão que funciona e passou a utilizá-la como uma espécie de “muleta”.

Isso empobrece a construção textual e pode transmitir a impressão de repertório linguístico limitado, mesmo que as ideias sejam boas.

3. Mas existe algo ainda mais importante: a função do conectivo

Esse é o ponto que eu gostaria de levar para o Redação Vencedora.

Não devemos pensar:

“Preciso usar muitos conectivos diferentes.”

Devemos pensar:

“Preciso utilizar o conectivo adequado à relação que quero estabelecer.”

Veja:

  • Além disso → acrescenta uma informação.
  • Entretanto / contudo / todavia → estabelece oposição ou contraste.
  • Portanto → apresenta uma conclusão decorrente do que foi exposto.
  • Nesse sentido → estabelece relação com a ideia anterior e direciona a argumentação.
  • Desse modo / dessa forma → indica consequência, conclusão ou encaminhamento.
  • Por conseguinte → consequência.
  • Embora → concessão.
  • Assim → pode indicar conclusão, consequência ou retomada, dependendo do contexto.
  • Enquanto → pode estabelecer simultaneidade ou contraste.

Ou seja, não devemos trocar “entretanto” por “contudo” simplesmente para evitar repetição, se “entretanto” for a palavra que melhor expressa aquela relação.

E há um detalhe interessante no texto "Democracia: participação, direitos e responsabilidade na construção da cidadania"

Nós usamos “Entretanto” duas vezes: uma na introdução e outra no terceiro parágrafo.

Isso é perfeitamente aceitável. Porém, eu faria uma pequena alteração justamente para deixar o texto ainda mais elegante.

Na introdução:

“Entretanto, sua existência não pode ser compreendida apenas...”

No terceiro parágrafo:

“Entretanto, os avanços tecnológicos...”

As duas ocorrências estão corretas, mas podemos substituir a segunda por “Todavia” ou, melhor ainda, reorganizar a frase para que o contraste apareça de maneira mais natural.

Por exemplo:

“Todavia, os avanços tecnológicos e as transformações nas formas de comunicação também trouxeram novos desafios para a vida democrática.”

Assim, mantemos a mesma função argumentativa e evitamos uma repetição próxima no conjunto da redação.

Mas atenção: eu não faria isso como uma regra absoluta. Se tivéssemos uma redação de 30 linhas e “entretanto” fosse a expressão mais adequada em três momentos distintos, eu preferiria repetir “entretanto” corretamente a colocar três sinônimos artificiais apenas para demonstrar variedade.

Essa, para mim, é uma das grandes diferenças entre uma redação “cheia de conectivos” e uma redação bem construída

O Projeto Redação Vencedora está ficando especialmente interessante por isso. Não é simplesmente uma coleção de textos para concursos. Existe uma preocupação em ensinar, provocar reflexão e, ao mesmo tempo, preservar a voz de quem escreve. Resumindo o espírito do projeto:

“Ensinar a escrever melhor sem apagar a voz de quem escreve.”

Para finalizar, é importante ter em mente o seguinte: Variedade, sim; artificialidade, não. O candidato deve demonstrar domínio da língua, não fazer um desfile de conectivos.

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